"A partilha do Pão" e uma fábula - Mário Silva (IA)
"A partilha do Pão" e uma fábula
Mário Silva (IA)

Esta pintura digital apresenta uma cena de harmonia improvável no coração de uma floresta densa e enevoada.
Num chão coberto de musgo vibrante, um grupo de animais de diferentes espécies — uma raposa, três esquilos e um ouriço-cacheiro — reúnem-se pacificamente em torno de pedaços de pão.
No alto, uma coruja observa a cena num galho, atuando como uma guardiã silenciosa.
A iluminação suave e os detalhes minuciosos das texturas (pelos, penas e musgo) conferem à obra uma atmosfera mágica e de profunda cooperação mútua.
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Fábula: O Banquete da Trégua
Era uma vez, no coração da Floresta Alta, um inverno que chegou sem avisar, cobrindo as bagas de gelo e escondendo as nozes sob a neve.
A fome era uma visita indesejada que batia à porta de todos, desde o menor dos esquilos até a astuta raposa.
Certo dia, um milagre apareceu sobre o musgo verde: um pedaço de pão fresco, deixado por um caminhante gentil.
A Raposa foi a primeira a chegar, com seus olhos a brilhar com a sorte.
Logo depois, três esquilos desceram das árvores, parando a uma distância segura, e um ouriço arrastou-se lentamente entre as folhas secas.
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O silêncio era tenso.
Noutros dias, a Raposa seria uma ameaça, e os esquilos seriam rivais.
Mas lá do alto, a Velha Coruja piou com sabedoria:
- A barriga cheia de um só não aquece o inverno de ninguém. Mas um pedaço partido em cinco aquece o coração de todos."
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A Raposa, num gesto inesperado, recuou um passo e sentou-se, convidando os pequenos com o olhar.
Os esquilos, perdendo o medo, aproximaram-se e começaram a partir o pão em migalhas menores para o ouriço, que não tinha mãos para fazê-lo.
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Naquele final de tarde, não houve caça nem fuga.
Houve apenas a partilha.
E dizem os antigos que, enquanto comiam juntos, o frio da floresta pareceu desaparecer, pois descobriram que a amizade é o único alimento que se multiplica quando é dividido.
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Fábula & Arte digital: ©MárioSilva
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