"No bailarico de Verão" e uma estória - Mário Silva (IA)
"No bailarico de Verão"
e uma estória
Mário Silva (IA)

A pintura digital "No bailarico de Verão" de Mário Silva retrata um casal a dançar num ambiente de parque ou jardim, sob uma iluminação filtrada pelas árvores, com uma técnica que simula pinceladas densas e texturizadas.
"No bailarico de Verão" de Mário Silva é uma obra que se destaca pela sua vivacidade, pela técnica expressiva e pela atmosfera de celebração e alegria.
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Mário Silva emprega uma abordagem que se alinha com o Impressionismo e, mais ainda, com o Pós-Impressionismo, dado o uso marcante do impasto e das cores vibrantes.
A aplicação de cores em pequenas massas e a construção da forma através da cor, em vez de linhas, é um traço distintivo.
A técnica digital permite-lhe simular a riqueza tátil da pintura a óleo, resultando numa imagem que é ao mesmo tempo pictórica e dinâmica.
As cores puras e justapostas criam uma vibração que realça a luz e a atmosfera.
A pintura tem o poder de evocar sentimentos de felicidade, leveza, nostalgia e um apreço pela beleza dos momentos simples de convívio e romance.
É uma obra otimista e envolvente.
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A Estorinha …
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O ar da tardinha em Vilarinho dos Remédios, naquele verão de 1920, era uma sinfonia de grilos e risos abafados.
As luzes pálidas penduradas entre os carvalhos balouçavam suavemente, banhando o recinto do bailarico numa penumbra mágica.
Era o dia da festa da aldeia, e o adro da capela transformara-se num salão de dança ao ar livre.
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No centro de tudo, alheios ao burburinho das mesas onde se jantava à luz dos candeeiros de petróleo, estavam António e Maria.
Ele, de fato azul-ferro, ajeitava o chapéu de palha com uma mão, enquanto a outra guiava Maria.
Ela, no seu vestido branco mais bonito e com um chapéu vermelho que parecia uma papoila recém-aberta, movia-se com a leveza de uma pluma.
Os olhos dele, por baixo da aba do chapéu, não se desviavam dos dela, e os olhos dela, por sua vez, estavam fixos nos dele, como se o mundo inteiro tivesse encolhido até caberem apenas os dois.
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Não era a coreografia perfeita, nem a música mais elaborada – era o simples som da concertina do Zé do Púcaro e de um violino desafinado –, mas para António e Maria, cada passo era uma melodia.
As pinceladas grossas da pintura de Mário Silva pareciam replicar a textura da sua paixão, a forma como os seus corações batiam em uníssono, a intensidade daquele momento roubado ao tempo.
Os verdes e amarelos das folhas em redor eram o cenário natural para um amor em flor, e o banco vazio, à esquerda, era a promessa de um descanso que só encontrariam nos braços um do outro.
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As pessoas nas mesas ao fundo, figuras indistintas em conversa animada, eram o mundo exterior que se desvanecia.
Eram os vizinhos, os amigos, a família, todos ali, mas invisíveis para aquele par que dançava no seu próprio universo.
Maria sentia a mão quente de António na sua cintura, a sua respiração próxima, e uma eletricidade a percorrer-lhe a espinha.
António via nos olhos de Maria não só o reflexo do céu estrelado, mas o futuro que ansiavam construir.
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Naquela noite, sob as árvores centenárias, António e Maria não estavam apenas a dançar.
Estavam a celebrar o verão, a juventude e a promessa de um amor que, tal como a arte de Mário Silva, prometia ser vibrante e eterno, uma canção sem fim no bailarico da vida.
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Texto & Pintura digital: ©MárioSilva
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