"Castelos de areia" – Mário Silva (IA)
"Castelos de areia"
Mário Silva (IA)

A pintura digital "Castelos de areia" de Mário Silva retrata uma menina de chapéu de palha e vestido florido, agachada na areia, a construir castelos de areia.
A cena passa-se numa praia ensolarada, com o mar de águas azul-turquesa e ondas brancas em segundo plano.
O céu, salpicado por nuvens brancas, e as águas do mar, que se encontram agitadas, contrastam com a serenidade da menina e o brilho da areia.
A obra é executada com pinceladas texturizadas e visíveis, que conferem uma qualidade expressiva e luminosa à cena.
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Estória: "Castelos de areia"
O mundo da pequena Rita era feito de areia e sol.
Aquele dia, na Praia do Búzio Azul, era o cenário perfeito para as suas grandes construções.
Com o seu chapéu de palha a proteger o rosto da luz forte e o vestido florido a voar ligeiramente com a brisa, Rita agachou-se na areia húmida e fria, os dedos pequenos e ágeis a dar forma a um reino.
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A pintura de Mário Silva captava-a naquele instante de pura concentração.
As suas mãos, sujas de areia, moldavam torres e muralhas, enquanto um sorriso discreto lhe curvava os lábios.
O mar, ao fundo, com o seu barulho constante e a sua fúria controlada, era o seu vizinho, o seu reino oposto, o adversário que um dia desafiaria as suas construções.
A areia, para ela, não era apenas pequenos grãos; era o barro da sua imaginação.
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Rita tinha um plano.
O castelo da direita, com as suas duas torres, seria a residência da princesa Coração Valente, a sua personagem favorita.
O castelo da esquerda, mais largo e robusto, seria a fortaleza do cavaleiro Coragem, o seu protetor.
E o pequeno castelo no meio, ainda por terminar, seria o mercado, onde o povo do seu reino se encontraria.
A cada concha que encontrava, colocava-a no topo de uma torre, um símbolo de poder e de beleza.
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A mãe, ao longe, lia um livro sob um guarda-sol.
O pai, um ponto distante na água, acenava-lhe.
Mas Rita estava no seu mundo, um mundo onde era a rainha, a arquiteta e a construtora de um império.
O sol batia no seu chapéu e fazia-lhe brilhar o cabelo, tal como as pinceladas de Mário Silva o faziam brilhar na tela.
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De repente, sentiu a água fria a beijar os seus pés.
Era uma onda, mais atrevida que as outras.
Ela olhou para o mar e depois para os seus castelos.
Sabia o que se avizinhava.
Mas o medo não a tocou.
Na sua mente, o seu reino era eterno.
Mesmo que as ondas o levassem, ele existiria na sua imaginação.
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A onda recuou e deixou um rasto de espuma branca, poupando por enquanto a sua fortaleza.
Rita sorriu.
Pegou no seu pequeno balde e, com um renovado entusiasmo, começou a reforçar as muralhas.
Porque, como ela sabia, um castelo de areia não se constrói para ser eterno.
Constrói-se para ser vivido e sonhado, e a sua verdadeira beleza não reside na sua permanência, mas na alegria da sua criação.
E a de Rita, naquele dia, era infinita.
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Texto & Fotografia: ©MárioSilva
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