"Adormeceu..." - Mário Silva (IA)
"Adormeceu..."
Mário Silva (IA)

A pintura digital de Mário Silva, intitulada "Adormeceu...", é uma obra que evoca ternura e nostalgia, utilizando uma técnica que simula a pintura a óleo clássica (realismo ou hiper-realismo com traços de impressionismo).
O foco central é um homem idoso, de feições marcadas pela idade e cabelos brancos, que adormeceu pacificamente numa poltrona de veludo azul ricamente decorada.
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A luz, de cor dourada e suave, incide sobre a cabeça e o ombro do homem, entrando pela diagonal a partir de uma fonte não visível, o que sugere um raio de sol a atravessar uma janela.
A figura do idoso está inseparavelmente ligada a um cão de caça (provavelmente um Basset Hound ou um Beagle) de pelagem castanha e branca, que repousa no seu colo.
As mãos do homem estão sobre o cão num gesto de carinho e conforto mútuo.
A cena, dominada por tons quentes de castanho (roupa e pelo do cão) e o azul profundo da poltrona, transmite uma profunda sensação de paz e companheirismo.
A assinatura do artista no canto inferior direito sela a obra.
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O Sonho da Juventude no Regaço do Amigo
O avô Adalberto tinha adormecido na sua poltrona azul, a poltrona que já conhecia o peso de um século de memórias.
No seu regaço, Baco, o seu velho cão de caça, dormia também, as longas orelhas a cobrir-lhe as patas.
A luz do final da tarde trespassava a janela e beijava-lhes o rosto e o pelo, pintando-os com ouro velho.
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Mal fechou os olhos, o avô Adalberto sentiu um calor, e não era o sol.
Era a sua juventude a regressar.
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No seu sonho, o avô Adalberto não era mais o velho cansado.
Era Beto, o rapaz de vinte anos que saltava cercas e corria por campos verdes, com a força de um cavalo indomável.
E Baco... Baco não era o cão lento e sábio.
Era Trovão, um cachorrinho irrequieto, com as patas grandes demais para o corpo, que o seguia para toda a parte.
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O sonho levou-os para a serra.
Não a serra de hoje, mas a serra da sua infância, intocada.
Corriam juntos, Beto e Trovão, pela manhã orvalhada.
O ar era fresco, cheirava a pinho e a terra molhada.
Trovão, mais rápido do que a vista, perseguia borboletas, e Beto ria-se, um riso alto e desprendido que há muito não dava.
Não havia cansaço nas suas pernas, nem rugas na sua testa.
Havia apenas a liberdade e a aventura de um dia de sol.
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A melhor parte do sonho era a sensação das patas de Trovão a correr à sua frente, a sua respiração ofegante, e a certeza de que nunca estaria sozinho.
No sonho, ele compreendeu que a vida é feita de ciclos, e que a força da juventude nunca desaparece de verdade; ela apenas se transforma em ternura.
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Quando o avô Adalberto acordou, o sol já tinha baixado.
Abriu os olhos, sentiu o peso de Baco nas suas pernas e o calor da sua pelagem.
A poltrona era a mesma, o seu corpo estava velho, mas o sorriso no seu rosto era o sorriso do jovem Beto.
Ele acariciou a cabeça de Baco, que levantou as orelhas e soltou um gemido preguiçoso.
O sonho tinha acabado, mas a sensação de correr livremente com o seu melhor amigo, essa, ficava ali, no calor do seu coração.
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Texto & Pintura digital: ©MárioSilva
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